segunda-feira, 11 de julho de 2011

Gesto de Gentileza - Mês de Abril

Vitória, 29 de Abril de 2011


Então amigos como vão vocês? Muitas portas e janelas abertas neste mês de Abril? Eu tenho algumas lembranças, mas de um dia em especial que mexeu muito comigo.


Lembro-me perfeitamente daquele dia 3 de abril. Manhã acizentada em Vitória. O sol tava meio timido e eu meio desanimada quando acordei. Aquele domingo eu acordei bem cedo. Tinha prova de concurso do TJ e iria faze-la no IFES-Vitória. Após a prova eu iria pra Ponta Formosa pro Seminário de Doutrina Social que tava rolando nesse fim de semana.


Fiz a prova sem muito entusiasmo. Esperava mais de mim mesma naquela prova. Digamos que me decepcionei comigo. Mas faz parte das pelejas da vida. Caminhei até o ponto destraida onde encontrei com uma senhora que também fez o concurso que danou a puxar conversar comigo.


Claro que eu educadamente dei a atenção necessária a ela e respondi um "é" sem muito entusiamo. Assim que o primeiro onibus passou eu tratei de dar sinal e perguntar o motorista se passava no local.
Repeti esse procedimento mas umas três vezes, visto que a resposta dos motorista era sempre não. E a mulher se foi e eu novamente fiquei calada no ponto.


Na minha quinta tentativa eis que um motorista bem simpático me respondeu sim e eu adentrei o onibus. Disse bom dia a cobradora ( saudação que me é de costume fazer quando entro no onibus) e assim sentei em meu lugar seguindo tranquila para o seminário.


Sei que em um determinado ponto da Av vitória o onibus pára para um cadeirante subir. Eu estava em uma cadeira perto da porta pela qual ele iria subir. Pude observar tudo bem de perto. O motorista desceu do onibus e ajudou o senhor a entrar enquanto a cobradora arrumava um lugar pra por o guarda chuva dele.




Meus olhos se encheram d´agua e meu coração transbordou de alegria. Eles trataram o homem tão bem de uma maneira que lhes era agradável a fazer aquele serviço - diferente do que eu estou acustumada da ver motorista e cobradores sempre de mal humor pra ajudar algum cadeirante ou até mesmo senhores/senhoras de idade.


Outra coisa que me emocionou muito, além da bondade do motorista e da cobradora, era a alegria e felicidade daquele senhor. Lembro-me perfeitamente de suas feições: era moreno, meio barigudo, um sorriso contagiante, usava bermuda, boné e meia no pé. Estava sem camisa, carregava uma sacolinha e seu guarda chuva estilo cutuca marido.


Durante a viagem dele (que foi bem curta) a cobradora sempre perguntava se ele estava bem acomodado ou se o cinto de segurança lhe apertava. Contei foram três pontos. E eu chorei descompassadamente. O onibus estava pouco habitado mas quando me dei conta que tinha pessoas dentro senti vergonha do meu choro.


O senhor saltou do ponto agradeceu pela gentilesa e eu segui minha viagem. Saltei do ponto ainda com olhos vermelhos e tentando me recompor das emoções e sentimentos que nem reparei na Nathy parando o carro perto de mim pra me dar carona pra subir a ladeira.


Compartilhei com ela o ocorrido. Disse que naquele dia minhas forças se revigoraram e minha vontade de lutar mutiplicado. Era gratificante ver que não estavamos sozinhos, que ainda existiam que era possivel ummundo melhor, de pessoas que podiam se tratar de maneira humanizada e sem interesses. Dinheiro nunca vai comprar momentos como este!

Paulinha

Um comentário: